A estreia do Uzbequistão na Copa do Mundo impulsiona o futebol da Ásia Central
Quando o Uzbequistão entrar em campo contra a Colômbia na Cidade do México, em 17 de junho, será a primeira vez que uma nação da Ásia Central chega à fase final da Copa do Mundo. A estreia também estimula o vizinho do norte, o Cazaquistão, que trilhou o caminho mais difícil rumo ao futebol europeu, a elevar suas próprias ambições.
O futebol da Ásia Central vive um grande momento. Quando o Uzbequistão entrar em campo contra a Colômbia no Estadio Azteca, na Cidade do México, em 17 de junho, será a primeira vez que um país da Ásia Central chega à fase final da Copa do Mundo. A seleção conhecida pelos torcedores como os Lobos Brancos, situada por volta da 57ª posição no ranking mundial, classificou-se pela primeira vez em sua história.
Mais do que apenas a ampliação
A ampliação do torneio de 32 para 48 seleções ajudou, mas o criador de conteúdo de futebol uzbeque Sunnatillo Samatov disse à Eurasianet que isso não conta a história toda. "Nos últimos três anos, enfrentamos o Irã seis vezes, um participante praticamente constante da Copa do Mundo, e não sofremos uma única derrota", afirmou, argumentando que a equipe provavelmente teria se classificado mesmo no antigo formato de 32 seleções.
Katanec lançou as bases
Samatov atribui ao ex-treinador Srečko Katanec, da Eslovênia, o mérito de ter corrigido uma fragilidade antiga. "Nossa equipe já conseguia jogar um futebol ofensivo, mas sua defesa sempre teve problemas. A primeira coisa que Katanec fez ao chegar à equipe foi construir uma defesa sólida", disse. Katanec deixou o cargo em 2025 por problemas de saúde. Timur Kapadze garantiu então a classificação e, em outubro de 2025, o campeão mundial de 2006 pela Itália, Fabio Cannavaro, assumiu o comando.
O Cazaquistão observa com inveja
A ascensão do Uzbequistão chamou a atenção de seu vizinho do norte, o Cazaquistão, que escolheu um caminho mais difícil: em 2002, deixou a Confederação Asiática de Futebol (AFC) rumo à UEFA, entidade do futebol europeu, alegando adversários mais fortes e o apelo financeiro de competições como a Liga dos Campeões. O dinheiro é real. Nesta temporada, o FC Kairat, de Almaty, chegou pela primeira vez à fase de liga da Liga dos Campeões e, apesar de terminar na última posição com um único ponto, faturou cerca de 21 milhões de euros, muito mais do que as competições asiáticas oferecem. "A Europa é uma enorme máquina de fazer dinheiro", disse o jornalista de futebol cazaque Arman Tynymov à Eurasianet.
De olho em 2030
O Cazaquistão, situado por volta da 110ª posição no ranking e que nunca se classificou para um grande torneio, mira a Copa do Mundo de 2030 como seu "principal objetivo estratégico", afirmou Tynymov, com a expectativa de que a equipe seja vista como uma candidata habitual a avançar de seu grupo de classificação, e não como uma azarona. A federação nomeou recentemente Scott Munn, ex-diretor de futebol do Tottenham Hotspur, vencedor da Liga Europa, como secretário-geral, ao lado de privatizações de clubes e investimento na base.
Um grupo difícil para os estreantes
Por ora, os holofotes pertencem ao Uzbequistão, sorteado em um grupo exigente com Portugal, Colômbia e RD Congo. "Considerando que nosso grupo inclui adversários tão fortes como Portugal e Colômbia, espero muito que possamos avançar aos playoffs a partir do terceiro lugar", disse Samatov. "Avançar de um grupo tão difícil não seria um mau resultado para uma estreia."
Reportagem: Paul Bartlett, Eurasianet, 10 de junho de 2026.