A tensão política minou a alegria da Copa, diz atacante do Irã
O Irã chega à Copa com pesada carga política, com problemas de vistos, um campo-base realocado e protestos previstos em Los Angeles. "Esse tipo de tensão mina a alegria", disse o atacante Mehdi Taremi à BBC.
P oucas seleções chegaram a uma Copa com tanta carga política quanto o Irã, informa a BBC. O elenco enfrentou problemas de vistos, teve de realocar seu campo-base e estreia contra a Nova Zelândia no SoFi Stadium, em Los Angeles, lar de uma das maiores diásporas iranianas do mundo. No domingo foi anunciado um acordo para cessar as hostilidades entre Estados Unidos e Irã e reabrir o estreito de Ormuz, o que aliviou os temores de escalada, embora as tensões permaneçam altas.
"Mina a alegria"
"Esse tipo de tensão mina a alegria da Copa", disse o atacante Mehdi Taremi. "Senti a tensão desde o primeiro momento em que chegamos. Ela começou até antes de chegarmos aqui." Após meses de incerteza, o Irã transferiu seu campo-base de Tucson, no Arizona, para a cidade fronteiriça mexicana de Tijuana, alegando preocupações com vistos, segurança e o clima político.
Preparação prejudicada
O técnico Amir Ghalenoei disse à BBC que a perturbação afetou a preparação. "Sem dúvida, esse tipo de comportamento impactou o espírito do futebol", afirmou. "O futebol deveria unir nações e culturas. Essas condições afetaram nossa concentração, mas tentei garantir que os jogadores se concentrem na estratégia e no desempenho." Disse que a equipe chegou tarde e com pouco tempo para se adaptar.
Protestos fora do estádio
Los Angeles é frequentemente apelidada de "Tehrangeles", e muitos irano-americanos planejam ir ao SoFi Stadium, alguns para protestar. A FIFA proibiu a bandeira pré-revolucionária do Leão e do Sol, símbolo para muitos iranianos no exterior, o que irritou parte da diáspora. "Esta é a maior comunidade iraniana fora do Irã. Nos opomos à proibição da FIFA e nos solidarizamos com o povo do Irã", disse a ativista Arezo Rashidian, que ajuda a organizar manifestações. Muitos ainda pretendem comparecer: "Levaremos nossas cores. Torceremos pelo Irã, o país."
Jogadores dizem que o foco é o futebol
"Como jogadores da seleção, jogamos por cada iraniano, esteja na diáspora ou no Irã", disse Taremi. "Estamos aqui para unir as pessoas e trazer alegria. Todos têm direito à sua opinião. Não nos envolvemos em política." O jornalista investigativo de futebol Samindra Kunti disse à BBC que o elenco estava sob enorme pressão: "É impossível evitar a política. Tudo se torna um lembrete da situação deles."
Reportagem: com base na reportagem da BBC Sport (Shaimaa Khalil), 15 de junho de 2026.