Pausas para hidratação na Copa: quem ganha e quem perde?
Uma pausa obrigatória de três minutos aos 22 minutos de cada tempo virou cena comum na Copa de 2026. Técnicos, jogadores e comentaristas divergem sobre se ela ajuda ou distorce o jogo.
O árbitro apita aos 22 minutos de cada tempo para que os jogadores se hidratem. A pausa obrigatória de três minutos nos 104 jogos foi introduzida para ajudar os atletas a lidar com o calor e a umidade no México, Canadá e Estados Unidos. Nem todos estão convencidos, e alguns as chamam de interrupções comerciais para agradar às emissoras dos EUA. As pausas ocorrem até em estádios com teto retrátil e climatização.
Pausas de embalo
Quando o Brasil bebeu água na metade do primeiro tempo diante do Marrocos, perdia por 1-0 após início fraco. Seis minutos depois da retomada, havia empatado com um golaço de Vinicius Jr. O técnico Carlo Ancelotti disse que a parada lhe permitiu dar novas instruções e ajustar o sistema. "Você pode explicar um problema aos jogadores, fazer um ajuste tático que pode ser muito bom", afirmou. A treinadora da seleção feminina dos EUA, Emma Hayes, disse à ITV Sport que as chama de "pausas de embalo": "Beneficiam o time que perde o embalo. Quando você está por cima não as quer; quando está perdendo, sim."
O padrão até agora
O Canadá também empatou pouco depois de uma pausa quando Cyle Larin anulou a vantagem da Bósnia e Herzegovina. A Escócia marcou logo após uma pausa para vencer o Haiti, e a Austrália abriu o placar em circunstâncias semelhantes diante da Turquia. Por outro lado, Curaçao empatou com a Alemanha pouco antes de uma pausa no primeiro tempo em Houston e depois sofreu muito após ela, perdendo por 7-1. A República Tcheca era superior à Coreia do Sul antes de uma pausa interromper sua pressão, e perdeu por 2-1. A Holanda vencia o Japão por 2-1 ao chegar a pausa do segundo tempo e foi alcançada, ficando no 2-2.
A favor e contra
Juan Mata, campeão mundial em 2010, disse que como jogador teria detestado as paradas: "Quando você está perdendo, quer marcar; quando está ganhando, quer ter a bola. Elas quebram o embalo." O ex-atacante inglês Ian Wright foi mais direto: "É mais uma forma de inserir publicidade do ponto de vista americano." Mas o técnico da Espanha, Luis de la Fuente, as defendeu: "Sempre me importo com a saúde dos meus jogadores. Uma pausa, refrescar e continuar. A medida certa." Sua equipe estreou diante de Cabo Verde em um estádio climatizado em Atlanta.
Reportagem: com base na reportagem da BBC Sport (Neil Johnston), 15 de junho de 2026.